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Perfil epidemiológico de crianças e adolescentes vítimas de queimaduras admitidos em centro de tratamento de queimados

Epidemiological profile of children and adolescents burn victims admitted to the burned treatment center

Mikelini Ayumi Takino1; Paola Janeiro Valenciano2; Edna Yukimi Itakussu3; Emely E. Kakitsuka4; Angela A. Hoshimo4; Celita S. Trelha5; Dirce Shizuko Fujisawa6

RESUMO

OBJETIVO: Estabelecer o perfil epidemiológico de crianças e adolescentes atendidas em Centro de Tratamento de Queimados (CTQ).
MÉTODO: Estudo transversal realizado por meio da análise dos prontuários de crianças e adolescentes (0 a 17 anos), internadas no CTQ, no período entre maio de 2011 e fevereiro de 2014. Aspectos investigados: sexo; idade; agente causal; motivo da queimadura; superfície corpórea queimada (SCQ), regiões acometidas; procedimentos; necessidade de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ventilação assistida; tempo de internação; fisioterapia e desfecho.
RESULTADOS: Foram analisados 177 prontuários, a mediana da idade foi de 4 [2-10] anos, maior prevalência no sexo masculino (n=118; 67%) e fase pré-escolar (n=66; 37%). O principal agente causal foi escaldo (53%) e o motivo com maior prevalência foi acidente doméstico (86%). O percentual da SCQ foi de 8,5% [4-15], com mediana do tempo de internação de 12 [5-15] dias, 23% necessitaram de atendimento em UTI, 6% foram a óbito. O desbridamento foi o procedimento mais realizado e a fisioterapia acompanhou todos os pacientes.
CONCLUSÃO: Os resultados apontam que a fase mais suscetível à queimadura é a pré-escolar, com predominância no sexo masculino, sendo que os acidentes ocorrem no âmbito domiciliar por escaldaduras, acometem várias regiões do corpo e demandam internação e vários procedimentos terapêuticos. Programas preventivos devem dar atenção especial à população pediátrica na faixa etária entre os 2 e 6 anos, com ênfase nos cuidados no domicílio.

Palavras-chave: Queimaduras. Criança. Adolescente. Terapêutica. Fisioterapia.

ABSTRACT

OBJECTIVE: To analyze the epidemiological profile of children and adolescents burn victim admitted to the Burn Treatment Center (BTC).
METHODS: A crosssectional study was conducted through the analysis of records of children and adolescents (0-17 years) who were burn victims hospitalized in BTC, between May 2011 and February 2014. It was analyzed: sex; age; causal agent; burns reason; body surface area burned (BSAB) and affected regions; procedures; intensive care unit (ICU); mechanical ventilation and tracheostomy; length of stay; physiotherapy and outcome.
RESULTS: A total of 177 subjects were analyzed, the average age was 4 [2-10] years, with a higher prevalence in males (n=118; 67%) and preschool children (n=66; 37%). The main etiologic agent was scald (53%) and the most prevalent reason was domestic accident (86%). The percentage of BSAB was 8.5% [4-15] and average length of stay was 12 [5-15] days, while 23% required ICU care and 6% patients died. Debridement was the most performed procedure and physiotherapists assisted all study patients.
CONCLUSIONS: These results indicate that preschools are more susceptible to burning with predominance in males, and those accidents occur in the home environment by scalds, affecting multiple body regions and requiring hospitalization and several therapeutic procedures. Prevention programs should give special attention to pediatric population aged between two and six years, with emphasis on care in the home environment.

Keywords: Burns. Child. Adolescent. Therapeutics. Physical Therapy Specialty.

INTRODUÇÃO

As queimaduras são problema de saúde pública mundial e têm maior incidência nos países de baixa e média renda, sendo responsáveis por cerca de 265.000 mortes por ano1. No Brasil, acontecem anualmente cerca de 1 milhão de acidentes com queimaduras; desses, aproximadamente 100.000 vítimas necessitam de atendimento hospitalar e 2.500 vão a óbito em decorrência das lesões2.

O trauma térmico tem sido descrito como o mais frequente, porém as queimaduras também podem ser provocadas por agentes químicos, elétricos ou radioativos; todos com capacidade de provocar sequelas funcionais, estéticas e psicológicas nas vítimas3. Em crianças pequenas, os acidentes em casa e por escaldaduras são os mais comuns4-6.

As lesões podem ser classificadas em diferentes graus, baseados na profundidade atingida. A queimadura de 1º grau é aquela que acomete apenas a epiderme; quando atinge parte da derme, passa a ser classificada como de 2º grau; e, em alguns casos, lesiona-se a totalidade das camadas da pele (derme e epiderme), chegando a atingir tecidos mais profundos como tendões, ligamentos, músculos e ossos, o que caracteriza as de 3º grau7.

Juntamente com as mulheres adultas, as crianças são particularmente vulneráveis às queimaduras. A queimadura é a décima primeira principal causa de morte de crianças de 1 a 9 anos e, também, é a quinta causa mais comum de lesões de infância não fatais1. No paciente pediátrico, as repercussões da queimadura são mais intensas e as sequelas ainda mais preocupantes, visto que está em fase de rápido desenvolvimento físico e motor8,9.

Diferentemente do adulto, as crianças possuem peculiaridades fisiológicas, anatômicas e psicológicas, distribuídas em cada faixa etária, fator relevante para a estruturação do tratamento adequado e efetivo, bem como, no seu prognóstico2. Azevedo10 destaca a importância do envolvimento da criança queimada com o aspecto lúdico, como forma de apoio emocional e ferramenta de auxílio durante o processo de reabilitação.

Sabe-se que os centros de queimados possuem uma equipe multiprofissional envolvida na assistência às vítimas de queimaduras, já que esses pacientes necessitam de tratamento específico e individualizado11. Também, após a alta hospitalar é necessário acompanhamento multiprofissional qualificado para minimizar os danos físicos e psíquicos e melhorar a qualidade de vida desses indivíduos12. Nesse sentido, a fisioterapia possui papel significativo no tratamento dos pacientes queimados e atuando precocemente reduz o risco de maiores sequelas3. Autores apontam a importância dessa abordagem nas diferentes fases da lesão13.

O objetivo deste estudo foi estabelecer o perfil epidemiológico de crianças e adolescentes atendidas em Centro de Tratamento de Queimados (CTQ).


MATERIAL E MÉTODOS

Foi realizado estudo transversal por meio da análise dos prontuários da população pediátrica, de 0 a 17 anos, internados no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Universitário de Londrina (HUL), em Londrina, PR, no período entre maio de 2011 a fevereiro de 2014.

A população infantil incluída no estudo foi subdividida em quatro subgrupos, de acordo com a faixa etária: lactentes (do nascimento ao primeiro ano de vida), pré-escolares (dos 2 aos 6 anos), escolares (dos 7 aos 9 anos) e adolescentes (faixa etária entre 10 a 19 anos)14,15. Foram excluídos do estudo os pacientes admitidos para realização de cirurgias eletivas, indivíduos que necessitaram de reinternações após a primeira alta hospitalar no CTQ/HUL e aqueles cujo prontuário estava indisponível ou ausente no Serviço de Arquivo Médico (SAME).

Inicialmente, foi consultado o serviço de Estatística do Hospital Universitário para obter-se o registro de todos os pacientes que deram entrada no CTQ/HUL. Para a coleta dos dados, foi utilizada ficha previamente elaborada, contendo os seguintes tópicos: idade; sexo; data da queimadura, internação e alta hospitalar; superfície corpórea queimada (SCQ), áreas envolvidas na queimadura; agente etiológico e motivo da lesão; quantidade de procedimentos realizados; tempo total de internação hospitalar, em enfermaria e na Unidade de Terapia Intensiva (UTI); necessidade de ventilação mecânica (VM) e traqueostomia; desfecho da internação (alta ou óbito) e se realizou fisioterapia no período.

Os dados coletados foram organizados e inseridos na planilha, Microsoft® Excel 2010. Para análise estatística, utilizou-se o programa GraphPad Prism® 6, sendo verificada a normalidade de distribuição dos dados por meio do teste Shapiro-Wilk. Variáveis como idade, percentagem da SCQ, dias de internação hospitalar, total de dias em enfermaria e em UTI e VM estão apresentadas em mediana com seus respectivos intervalos interquartílicos 25-75%, sendo a significância estabelecida em 5% (p<0,05).

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa envolvendo Seres Humanos da Universidade Estadual de Londrina (Parecer Nº 357.393).


RESULTADOS

No período entre maio de 2011 e fevereiro de 2014 foram internados 560 pacientes vítimas de queimadura no CTQ/HUL, sendo 177 (32%) crianças e adolescentes, na faixa etária entre 0 a 17 anos, com a mediana da idade de 4 [2-10] anos. Quanto ao sexo, a maior parte da amostra infantil era masculina (n=118; 67%), e o subgrupo constituído por crianças pré-escolares foram os mais envolvidos nos acidentes por queimaduras (Tabela 1). O tempo de internação total foi de 12 [5-15] dias e a SCQ de 8,5% [4-15].




Os acidentes de queimadura ocorreram, em sua maioria, no próprio domicílio e a escaldadura foi o agente causal em 53% dos casos, sendo que 70% tiveram múltiplas regiões do corpo acometidas e 6% foram a óbito (Tabela 2). A Figura 1 ilustra, mais detalhadamente, a distribuição do agente causal em relação à faixa etária da população estudada.




Figura 1 - Atendimentos decorrentes de queimaduras segundo a faixa etária e agente causal das crianças e adolescentes internados no CTQ/HU/UEL - maio/2011 a fevereiro/2014.



Em relação aos procedimentos médicos realizados para o tratamento da queimadura, 107 necessitaram de desbridamento, 67 fizeram enxertia de pele, nove realizaram escarotomia e 58 não foram submetidos a nenhum desses procedimentos. A fisioterapia foi realizada em todos os pacientes pediátricos, independentemente do tempo de internação, tanto em enfermaria quanto na UTI.

A necessidade de tratamento em UTI ocorreu em 41 (23%) pacientes, tendo sido a mediana de permanência de 5 [2-12] dias. Na UTI, 18 (43,9%) dos pacientes precisaram de VM e permaneceram em assistência ventilatória por 4 [2-7,5] dias. Vale destacar que, no prontuário de quatro pacientes em UTI, as informações estavam incompletas; três pacientes necessitaram ser traqueostomizados e outros 10 indivíduos foram a óbito.


DISCUSSÃO

Estudos epidemiológicos, a partir de registros nacionais e internacionais, são extremamente importantes para uma melhor orientação das práticas de promoção de saúde, como campanhas de prevenção, e melhoria da relação custo-efetividade no cuidado ao queimado16. O presente estudo analisou todos os prontuários da população infanto-juvenil, de 0 a 17 anos, vítimas de queimaduras atendidas no período de maio de 2011 até fevereiro de 2014, no CTQ/HU/UEL, por se tratar de uma ala de referência no tratamento do paciente queimado.

Em conformidade com outros estudos epidemiológicos realizados em diversas regiões do mundo envolvendo a faixa pediátrica16-21, houve maior predominância do sexo masculino, ocorrência de acidentes em ambiente domiciliar e o líquido superaquecido como agente causal. Conforme Blank22, o sexo é um dos fatores pré-evento a ser analisado, pois a partir do primeiro ano de vida os meninos têm o dobro de chance de sofrer injúrias do que as meninas, inclusive queimaduras. Outros autores relatam que há uma maior tendência de brincadeiras de maior risco realizadas por meninos23.

A mediana de idade encontrada foi de 4 anos, sendo que os pré-escolares foram os maiores envolvidos, o que vai de encontro com o estudo de Fernandes et al.23, em que os maiores envolvidos eram crianças menores de 7 anos. Em estudo realizado na Turquia, envolvendo as crianças que sofreram injúria térmica de idade igual ou inferior a 7 anos, foi descrito que nessa faixa etária as crianças apresentam grande curiosidade e vontade de tocar objetos próximos a elas, e, além disso, há maior dependência dos pais ou cuidadores, sendo que certa negligência parental pode ter desempenhado papel importante na injúria por queimadura nessas crianças18.

A prevenção de injúrias por queimaduras em crianças deveria ser uma prioridade, e poderia ser substancialmente reduzida se as crianças fossem mantidas afastadas da cozinha durante o preparo das refeições, e bancadas estivessem em altura apropriada para evitar o alcance e derramamento de objetos e/ou líquidos aquecidos24. Sendo assim, estudos epidemiológicos são necessários para identificação dos grupos alvos para a intervenção apropriada24, já que a grande maioria das injúrias por queimaduras permanecem acidentais e, portanto, são preveníveis, especialmente em crianças16.

O ambiente escolar tem se mostrado como um bom local para promoção de saúde. Autores brasileiros realizaram, a partir da análise diagnóstica inicial, em uma Escola Municipal de Educação Infantil, envolvendo alunos do Pré II, nas idades de 5 e 6 anos, ações educativas sobre riscos para acidentes, incluindo as queimaduras, e possíveis formas de prevenção25.

Em um estudo realizado no Canadá, que explora as causas externas envolvidas em acidentes com crianças de 0 a 6 anos, ressalta-se que as crianças estão expostas a riscos variados, influenciadas pelas características físicas, como destreza, alcance e força; e cognitivas-sociais, como curiosidade e julgamento, e a cada nova fase no desenvolvimento há novos riscos de acidentes26.

A adequada supervisão é parte essencial para a prevenção de acidentes em casa, exigindo atenção e proximidade dos pais ou cuidador; também, a avaliação dos riscos, de modo a antecipá-los, afastando ou tornando-os indisponíveis às crianças, somada à educação de pais ou cuidadores e das próprias crianças, podem ajudar a minimizar os riscos de acidentes26,27.

Quando analisadas, separadamente, as diferentes faixas etárias, foi observado que nos lactentes houve apenas dois agentes causais, o escaldo e o contato, visto que, nessa idade, a dependência dos pais é alta e correlacionando a lesão com descuido dos mesmos. Nesse contexto, é relevante o conhecimento dos familiares acerca dos principais fatores de risco das queimaduras, que pode ser adquirido por meio de campanhas educativas, que têm mostrado bom potencial informativo28.

Na idade pré-escolar, o principal agente também foi o escaldo, porém outros agentes como o fogo e a explosão também fizeram parte do quadro epidemiológico. Em estudo brasileiro, observou-se que os familiares realizam atividades de risco para queimaduras na presença das crianças ou permitem, sem cautela, que as mesmas brinquem com os próprios agentes causais, como álcool e recipientes contendo líquidos superaquecidos29.

No presente estudo a mediana da área queimada foi de 8,5%, e houve múltiplas regiões acometidas pela queimadura, seguida de lesões nos membros superiores, resultado que se assemelha com os achados da literatura6. Outro estudo realizado em Centro de Queimados mostrou que a média da SCQ foi de 15%30. Pode-se relacionar a queimadura em membros superiores com a posição da criança na hora do acidente, uma vez que puxam para si objetos contendo líquidos aquecidos como panelas e travessas, geralmente encontradas em superfícies mais altas que a criança31.

Foi constatada a média de 12 dias de internação, valor menor do que o encontrado em outro trabalho realizado no mesmo campo de estudo, porém em período anterior, que encontrou média de 16 dias de internação30. Tal redução pode estar relacionada à percentagem média de SQC também ter sido menor30.

Como no estudo de Millan et al.6, a maioria das crianças necessitou de ao menos um procedimento cirúrgico, sendo o mais frequente o desbridamento seguido da enxertia. Em estudo realizado no maior centro de queimados da América Latina21, em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, no período de fevereiro de 2009 a julho de 2010, envolvendo 687 indivíduos de todas as faixas etárias, foram realizados 984 desbridamentos e 584 enxertias.

Em relação ao desfecho ocorrido nesse período, 6% dos indivíduos foram a óbito, resultado que corrobora a percentagem encontrada na literatura32 em que 5,8% das crianças internadas por queimaduras faleceram. Já em uma revisão sistemática de estudos considerando de 1985 até o ano de 2009, envolvendo aspectos epidemiológicos de indivíduos gravemente queimados (envolvendo hospitalização) na Europa, o índice de mortalidade estava entre 1,4 e 18%16.

A internação em UTI foi necessária em 23 % dos casos com mediana de 5 [2-12] dias de internação, valores semelhantes já foram citados na literatura. Autores33 em estudo envolvendo pacientes queimados em Salvador, BA, Brasil, constataram que 25,4% dos pacientes necessitaram de cuidados na UTI com média de permanência de 6,4 dias.

Quando analisada a necessidade de VM, dos pacientes que permaneceram em UTI, 43,9% utilizaram assistência ventilatória com mediana de 4 [2-7,5] dias, valores inferiores se comparados com outro estudo envolvendo crianças em UTI vítimas de queimadura, em que a ventilação mecânica foi observada em 45,5% dos casos com mediana de 7,5 dias de permanência34. O uso de ventilação mecânica pode causar complicações respiratórias e, nesse contexto, a fisioterapia é fundamental e eficaz, sendo necessária a comunicação e cooperação entre médico e fisioterapeuta no ambiente da UTI para otimizar o tratamento do paciente35. O atendimento da fisioterapia para todos os pacientes internados, tanto em UTI como na enfermaria, é um dado que mostra a importância dada à assistência desses profissionais da saúde no CTQ, mostrando que a sua atuação já está bem estabelecida nesse serviço.

Quando analisado o envolvimento dos profissionais da saúde com as crianças e adolescentes queimados, em uma Unidade de Terapia de Queimados, autores23 observaram que as equipes médica e de enfermagem estavam 100% na assistência, seguidos dos psicólogos, e os fisioterapeutas com 172 atendimentos, considerando o total de 289 pacientes.

Em outro estudo3 foi demonstrado que a maior parte dos pacientes relataram ter resultados satisfatórios após o atendimento da fisioterapia, sendo eficaz no processo de reabilitação, agindo de forma preventiva ou reduzindo sequelas funcionais e estéticas. Há na literatura diferentes formas de abordagem fisioterapêutica para assistência do paciente queimado, incluindo modalidades de massoterapia36, abordagem respiratória37,38, exercícios físicos para melhora da força muscular39-41 e melhora da função40,42. Os resultados do estudo de Santana et al.43 mostraram melhora significativa no edema após os atendimentos de fisioterapia, bem como, aumento relevante de amplitude de movimento.

Em revisão de literatura44, os autores ressaltam que a queimadura não envolve apenas a lesão na pele, portanto, desfechos funcionais e psicológicos devem ser avaliados e tratados adequadamente. Sendo assim, o programa terapêutico é essencial no paciente queimado, com foco nas amplitudes de movimento, força muscular, endurance, mobilidade, marcha e reintegração do indivíduo na comunidade.

Como limitações do estudo, destaca-se a dificuldade em encontrar informações precisas nos prontuários, considerando a falha na descrição das condutas hospitalares e dados do paciente, sendo que em alguns casos também houve dificuldade na compreensão da escrita. Nesse contexto, nota-se a necessidade da evolução mais organizada dos prontuários e a descrição detalhada das condutas, visando à apuração mais acurada de dados epidemiológicos. Outros autores23,45 também citam o problema de omissão de informações em prontuários médicos, resultando na dificuldade em obter-se os registros, pois, muitas vezes, informações importantes não estão documentadas.


CONCLUSÃO

Os resultados do estudo apontam que a fase mais suscetível à queimadura é a pré-escolar, com predominância no sexo masculino, sendo que os acidentes ocorrem no âmbito domiciliar por escaldaduras, acometem várias regiões do corpo e demandam internação e vários procedimentos terapêuticos. Assim, programas preventivos devem dar atenção especial à população pediátrica na faixa etária entre os 2 e 6 anos, com ênfase nos cuidados no domicílio.


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Recebido em 20 de Junho de 2016.
Aceito em 9 de Agosto de 2016.

Local de realização do trabalho: Centro de Tratamento de Queimados - Hospital Universitário de Londrina. Londrina, PR, Brasil.

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.


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